
A mesma cena se repete ano após ano e cada vez mais tragédias e dor tomam os brasileiros de assalto com extrema perplexidade e espanto.
A atual tragédia ocorrida em Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis e outras cidades da Região Serrana fluminense nos faz perguntar mais uma vez: "ATÉ QUANDO"? Até quando estaremos indefesos diante da passividade do poder público que onera a sociedade com impostos altíssimos sem lhe devolver um serviço de qualidade sequer. Somos a quinta maior carga tributária do planeta e um dos países mais miseráveis do mundo. Nos falta quase tudo. Temos um país riquissimo em recursos naturais, mas que nada ou pouco faz para transformar toda essa riqueza em algo palpável e tangivel para a população. Onde está a justa distribuição de renda? Onde o Estado se faz efetivamente presente em benefício do coletivo?
O Brasil apresenta uma das piores distribuições de renda do mundo. Temos brasileiros que figuram entre as 10 personalidades mais ricas do planeta, vide Eike Batista, e também temos comunidades inteiras que vivem em total esquecimento do poder público, especialmente no Nordeste, com condições de vida precárias que se equiparam às condições sub-humanas dos países mais pobres da África. E o reflexo de tudo isso são tragédias que se repetem verão após verão, muito em função da ausência do Estado regulando, fiscalizando e operando na raíz dos problemas da nação.
As chuvas na Serra eram previstas, mas não houve ações efetivas do poder público para evitar o caos e a desgraça. Prevenções, fiscalização das ocupações irregulares e planos de contigência para quê? O resultado de tanta irresponsabilidade e descaso das autoridades foi a maior catástrofe brasileira de todos os tempos.
Muitos porão a culpa na Chuva, mas o Brasil não é Bangladesh que não tem nem tecnologia e nem mão de obra qualificada para realizar as obras estruturais necessárias... além disso, nossa condição economico-financeira é bem mais privilegiada. Se houvesse prevenção, provavelmente não eliminaríamos a catástrofe, mas certamente os números de desabrigados e mortos não seria estratosférico como aconteceu. Em situações parecidas no ano de 2010, inclusive com os mesmos volumes de chuva registrados em Nova Friburgo, a cidade mais atingida pela tempestade, a Ilha da Madeira, em Portugal, com topografia parecida com a Serra Fluminense registrou número de mortos bem mais modesto, aproximadamente 50 pessoas. Outra comparação importante, nessa mesma época a Austrália tem registrado uma precipitação de chuva ainda maior que a verificada na Região Serrana, entretanto, o número de mortos por lá não chegou a 20.
Se o poder público cumprir o seu papel em todos os níveis, seja municipal, estadual e federal, certamente as desolações e o rastro de destruição deixados pelas chuvas de verão serão bem menos letais. Cabe às prefeituras fiscalizar a ocupaçao do solo, estabelecer um plano piloto para ocupação das áreas dos municípios e viabilizar um serviço de contenção e monitoramento das encostas. Cabe aos estados a realização de projetos de habitação para a população carente, um sistema de escoamento da água da chuva de forma que ela seja liberada nos rios em áreas não habitadas e promover saneamento básico para toda a população. E por último, cabe ao governo federal o repasse das verbas para os municípios e estados implementarem as ações estruturais mencionadas e acionar as forças armadas em caso de calamidades.
Que as promessas feitas pelos nossos governantes em meio a consternação geral que comove todo o país não sejam levadas pelas águas de março que ainda vão descer, e que o porre de felicidade do carnaval que se aproxima não provoque aminésia permanente até a próxima desgraça. Fiquemos atentos e vigilantes para cobrar ações efetivas para levantarmos a poeira e darmos a volta por cima.
Aos que sofrem nossa consternação, apoio e oração a Deus para confortar os corações dilacerados pela dor perversa que tanto humilha, tortura e maltrata aqueles que perderam tudo, inclusive familiares em condições tão traumáticas!!!
Veja como ajudar as vitimas da tragédia neste link:
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