terça-feira, 22 de setembro de 2009

CIÚME EGOÍSTA

Hoje, pensando com meus botões lembrei-me da efemeridade da vida e da velocidade com que as coisas acontecem. Há pouco tempo atrás era uma criança que não sabia o que querer ou esperar da vida, e olhando para trás vejo o tanto de tempo que já percorri, o tanto de coisas que já vivi e que apesar disso, ainda continuo me perguntando o que querer ou esperar da vida.

Acho que nunca saberemos ao certo.. são tantas emoções, frustrações, decepções... mas também muitas alegrias, euforias e vitorias..(só pra rimar..rs). O que levamos da vida se não as emoções vividas e sentidas? O que é a vida se não uma longa história de sucessos e fracassos contada em verso e prosa no palco do mundo?

Mas hoje gostaria de me ater a um aspecto muito dolorido e até penoso da vida: AS DESPEDIDAS. Quando encontramos um AMIGO achamos que nossa amizade vai durar para sempre... quando vivemos um GRANDE AMOR, achamos que viveremos juntos para sempre. Mas com o passar do tempo, seja pelo destino, por algum desentendimento ou por obra do acaso, em algum momento da vida nossos caminhos chegam a uma bifurcação.. e a partir deste ponto nossos caminhos não se cruzam mais ou não andam mais paralelamente. Com o passar do tempo a saudade sufocante vai dando lugar a uma saudosa e gostosa emoção.. que mais tarde se modifica novamente e vai se tornando cada vez mais uma lembrança doce e suave. Com o tempo a necessidade de encontros intensos torna-se vagas lembranças ou fotografias amareladas.

Um dia nossos filhos e ou netos acharão graça das fotos envelhecidas no fundo do baú e perguntarão quem eram aquelas pessoas... e com lágrimas nos olhos, aperto no coração, voz presa e embargada diremos que foram pessoas ESSENCIAIS, que cumpriram seu papel angelical e que partiram para abençoar outras pessoas... das quais sem sabermos quem são, sentiremos um sentimento pouco nobre, mas talvez justificável... UM CIÚME EGOÍSTA.

"Amigo é coisa pra se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção
Que na América ouvi

Mas quem cantava chorou
Ao ver seu amigo partir
Mas quem ficou
No pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou
No pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa pra se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância
Digam não
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier
Venha o que vier(venha o que) vier
Qualquer dia amigo
Eu volto a te encontrar
Qualquer dia amigo a gente
Vai se encontrar

Pois seja o que vier
Venha o que vier(venha o que) vier
Qualquer dia amigo
Eu volto a te encontrar
Qualquer dia amigo a gente
Vai se encontrar" (Milton Nascimento e Fernando Brant)

Um comentário:

  1. De certa forma eu acho que tudo isso está ligado ao fato que o ser humano tem uma dificuldade estrondosa de perder. Perder é demais para nós. Perder significa não se encontrar.

    Mas estamos perdendo o tempo todo. A vida, o tempo,o prumo, o sumo. Perdemos muito...e ganhamos também...mas ganhar é fácil..acreditamos que faz parte da vida, e nos esquecemos que para ganhar também é preciso perder...

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